Histórico
Sigmund Zalis era um simples ajudante na loja de armas da sua família, auxiliando nos processos de forja e derretimento de sucatas, para transformar metal inútil, em lucro para o tio e o pai que comandavam os negócios. A vida relativamente pacata, na cidade de Benellikov, conhecida pelos mercadores de armas de cerco, pólvora e armas de fogo, estava prestes a se tornar um inferno escaldante. Sigmund nasceu com várias marcas que se estendiam do centro do torax, para os braços, como se fossem tentáculos um pouco mais escuros que a sua pele. Quando estava ajudando o seu tio a forjar novas peças, percebeu que tinha a estranha habilidade de saber instintivamente se a arma iria falhar ou quebrar, pelas mínimas imperfeições quase invisíveis que apresentavam. Ele não sabia explicar direito ou colocar num papel como que ele sabia, ele apenas sentia que algo estava errado. O seu tio apontou que sempre que ele resolvia problemas, suas marcas começavam a clarear e a mudarem de cor para um tom amarelado, quase que dourado. Era como se fosse o seu sexto sentido para imperfeições começando a agir enquanto ele analisava a peça. Ao observar esta habilidade curiosa por alguns meses, seu pai teve uma ideia para testar seus limites: desenhar a pior arma possível e dar a ele para resolver seus incontáveis problemas. Era uma pistola desbalanceada, que sempre falhava por um motivo diferente, e que tinha uma baioneta na ponta, que era pesada demais e que não podia ser removida. O teste, que mais parecia uma pegadinha do que um trabalho, deixou o pobre ferreiro em formação perplexo. Um problema resolvido criava mais 2 outros problemas e depois de várias semanas, a pistola estava pronta, e era uma obra de arte. A mistura de adaga com pistola, com o equilíbrio perfeito entre as duas, e o cano feito dentro da lâmina, era igualmente inovador e prático. Seus familiares trataram de transformar a pistola em um esquema bem detalhado, contando com a explosão nas vendas do novo modelo. A arma comecou a ser bem falada pela cidade, e a loja estava ficando cada vez mais movimentada com a procura. Um grande pedido foi feito por um homem muito elegante, sob as ordens de um barão de uma outra cidade, e acabou fazendo a forja inteira se dedicar a esse pedido. As unidades encaixotadas tiveram que ser mandadas para um armazém um pouco mais afastado da forja, ate que o numero de unidades fosse igual ao do pedido. Quando estava entregando pessoalmente as últimas caixas ao armazém, uma pessoa misteriosa, envolta num tecido cintilante, o entregou uma carta com uma escrita indecifrável e saiu andando. Ao final da carta, um curioso símbolo de uma ampulheta estava no lugar da assinatura. Ao olhar para as letras, as palavras "traição", "fogo" e "sangue" tomavam a sua mente de uma forma violenta, quase que o atacando, e ao olhar para trás, para questionar a figura misteriosa, ele ja nao estava mais la. Ao descarregar as caixas da carroça, ele decidiu se esgueirar pelos arredores do armazém, procurando por perigo, e acabou encontrando um grupo de 5 homens armados e com carroças vazias, conversando e coordenando um roubo ao armazem para levar as suas preciosas criações. Ele voltou para dentro, se armou e com ferramentas básicas da sua caixa de ferramentas, conseguiu sabotar as unidades de apenas uma caixa antes da invasão. Esta caixa ele deixou em evidência, no centro do armazem, com a tampa entreaberta, como se fossem as unidades de demonstração. Quando os homens entraram para o assaltar, foram recebidos com tiros precisos, que acertaram dois, mas apenas matou um. Com um morto e um ferido, os bandidos conseguiram ferir Sigmund, que se rendeu e aceitou que seu trabalho duro e genialidade seriam levados. Ao se aproximarem, um deles revelou seu rosto, era o homem elegante a mando do barão. Ele apenas disse: "nada pessoal, garoto. O jogo ja estava vencido desde que eu pisei naquela loja. Não podemos deixar que concorrência desleal surja assim do nada e nos tire do mercado." Então ele retirou quatro pistolas da caixa e rindo, distribuiu entre os bandidos, como vingança pela morte de um dos seus comparsas. Todos miraram no pobre ajudante ajoelhado e ferido, e o homem elegante disse: "Foi a sua família que causou o seu fim". Quando todos apertaram os gatilhos, as pistolas explodiram, e as balas foram na direção oposta da saída do cano, matando todos os quatro. Zalis, muito preocupado com a fala do bandido, correu para casa o mais rápido que as suas feridas o permitiram, e encontrou o seu inferno. Todos mortos, pai, mãe, tio, irmãos, tudo revirado e um princípio de incêndio nos fundos da mansão. Ao olhar para os seus familiares mortos, as três palavras da carta o agrediram de novo na sua essência. Era como se algo estivesse saindo do seu coração, correndo pelos braços e fugindo pelos dedos. A dor, a trapaça e o ódio se uniram e disseram "SOBREVIVA, ZALIS". Logo em seguida, ele ouviu passos. Parece que ter deixado um rastro de sangue ao entrar na própria casa, para fugir de um grupo de bandidos, foi uma péssima ideia. Suas marcas pelo corpo se tornaram escuras como a noite, e ele se movimentava como se fosse três vezes mais rápido que o normal. Os cortes e os disparos não paravam enquanto apenas o fogo fosse o único a consumir o ar da casa. Depois de perder as contas de quantos humanoides perderam seus membros e cabeças, ele se despediu rapidamente dos corpos da sua gentil família, e comecou seu caminho de ódio e vingança contra quem perpetrou esse massacre inominável. Ele nem percebeu que já nao estava mais ferido e nem cansado, correu até a loja, pegou vários frascos de óleo e chifres de pólvora, porque se lembrou do pedido esquisito do capanga do barão de que as armas da caixa estivessem todas carregadas porque ja seriam utilizadas de imediato. Ao procurar as anotações e esquemas da arma, achou apenas no diário de seu tio com anotações do pai e guardou consigo. Seguiu para o armazém com uma velocidade sobrenatural, quase quebrando os frascos na mochila. Ao chegar la, apenas quatro corpos estavam no chão, perto da caixa sabotada, mas ele não ligava mais para sobreviventes, o único objetivo era destruir tudo, para que nada caísse nas mãos dos ladrões imundos. Colocou os frascos de óleo perto das pihas de caixas, espalhou a pólvora e fez a caminho ate a porta, e nao pensou duas vezes, apenas acendeu a trilha e deixou tudo para trás. Com o fogo e as explosões, foram embora a sua família, o seu nome, a sua vida tranquila, suas criações e a sua vontade de criar coisas. O que ficou foi apenas o desejo de destruir tudo o que aquele barão representa. Com a vida de fugitivo, com a sua pistola, sua marca e o seu rancor, o seu nome agora é Siglaz, o cacador de recompensas que só aceita contratos de matar procurados, nunca os entregando vivos. Hoje ele trabalha para chegar cada vez mais perto de solucionar o assassinato da sua família, seguindo os conselhos da sua arma, que sempre repete frases dos seus familiares quando ele está caçando alguem que foi parte do plano macabro. As vozes so param quando ele finaliza o alvo.